segunda-feira, 9 de novembro de 2015

EM MUNDO DE POESIA - LIVROS - parte 6 - E VOCÊ, QUANTO CUSTA?





E VOCÊ? QUANTO CUSTA?

Sim, você! Quanto custa?

Tudo que você faz, produz ou não produz, é você. Quanto você custa?

O mais polêmico assunto referente ao mundo dos livros e o mais pacífico. A política de edições de livros é a salvação e ao mesmo tempo o abismo de uma gente.

Quanto tempo o autor passa a escrever? Esta é uma questão variável. Porém, aquele que se restringe a tempo, no mínimo, ele escreve quatro horas seguidas. Isso, mesmo. E o processo do livro é esse: ser escrito! Portanto, sem escritor não há livro. Depois de escrito seu processo – o mais comum - é rápido: feitio, distribuição e venda. Ao pensar nisso sempre me vem à memória, os 4S japoneses, que trazem a filosofia de organização e produção. O que marcou em mim a questão foi o fato de que você pode levar vários anos planejando e executar esse planejamento em um ano.
Um livro, você pode levar até 10, 20, 30 anos ou mais a escrever, mas o processo de produção será tão rápido quanto a disposição do editor. É como dizer: você leva 100 anos para escrever e a editora pode levar simplesmente 100 dias para colocar esse livro no mercado. Sim. 100 dias para um processo que levou 100 anos para se concretizar.

Então, eu repito a pergunta: quanto você custa?

Alguém poderia vaguear e dizer: o escritor é o produto mais caro nesse processo. Eu diria: concordo!

É...

Mas, não é assim!

Em todo esse nicho o custo do autor fica em média dentro dos 10% ou 5% do valor da capa de um livro. Assim, se o livro que você escreveu sai com preço de capa de 30 reais, você receberá por tê-lo escrito, na melhor das hipóteses, 3 reais ou 1,50. Isso, mesmo. E eu digo custos porque é como se o autor fosse [e eu não consigo ver diferente] um operário de todo esse mundo do livro. Sim! Um operário e não um artista, como é passada a bela imagem de intelectual; todo chique e elegante no seu dia de autógrafos: emocionado; em êxtase como na sua primeira vez de primeira vez, seja dia ou noite. Um operário [...] mal remunerado. Um barato prestador de serviços. É duro, não é? Mas é a realidade.

Quando o livro sai em preço ‘alto’, não é o escritor a ganhar a fortuna. Ganha o escritor quando as vendas são milhares, mas ganha pelo montante. A fortuna fica para os demais envolvidos no processo. Quando o livro sai ‘barato’, como no processo do e-book, e-pub, a coisa se torna mais cruel. Qualquer um desses, é produzido em todo o seu processo pelo escritor ou este paga para alguém fazer. Desta forma, ele pode colocar esse livro em qualquer plataforma de publicação. Existem dois processos para esse tipo de livro: um você o coloca na plataforma, e ele vem com o preço de ‘custo’ para você publicar e em cima desse valor você coloca o valor que quer receber por direitos autorais e assim terá o preço de venda ao leitor. Naquela plataforma em que você recebe até 70% pelo que vende, os valores para venda são bem variados. 30% você paga para expor seus livros. Apenas, para expor, porque eles nada fizeram ou gastaram para que seu livro estivesse lá. Mas, a questão é a oferta e aceitação. A empresa oferece e você aceita ou não. Nessa modalidade de trabalho, eu penso que o sucateamento de escritores é uma aberração; é escandaloso. Está bem, você escreve 186 páginas e vende seu livro por R$5,99 – uma dúzia de ovos, no bruto, ainda tem que pagar 30% disso aí, para a loja. [65 páginas por R$1.99] [105 páginas por R$2,99] [221 páginas por R$2,61] [561 páginas por R$10,99] [526 páginas por 6.99]. E quem publica, na venda, recebe 70% do valor. 70% de R$1,99 (?); 70% de R$6,99 (?); 70% de R$10,99 (?) e assim vai.

É...

Sabe o que me lembra, olhando esses sites?

Eu sempre fui consumidora compulsiva de revistas e gibis. Não podia ver um, desses, em algum lugar que ia lá pegar para ler. Gastava horrores nas bancas de jornais e distribuidoras de onde saia com os braços cheios e toda ‘fominha’ para devorar tudo aquilo que ficava acordada até a noite toda, se precisasse, para ler tudo. Era assim, mesmo, nada de deixar para o dia seguinte. Então, surgiram as lojas de 1.99 e um tempo depois essas lojas passaram a vender revistas, livros, gibis, qualquer um por 1.99. Imagina... Lá estava eu. Revirava as gôndolas a procurar aquilo que, ainda, não havia lido. Pena, ter acabado, mas, também, já não existe loja de 1,99. Só neste site.

Eu nada tenho contra isso ou aquilo, apenas constato. Como já disse, cada um sabe de si. Se tem gente que escreve e aceita se vender por valores assim, não sou eu quem vai dizer: não faça isso. Jamais! Mas, que é sucateamento, é certo, seja qual for a qualidade dessas escritas.

Quando se diz de oferta e procura, temos, aí, a demanda determinando valores. Mas, nesse caso, acredito é que a mão-de-obra é barata, mesmo. Vejo um tanto de gente, brincando de escrever para pegar uns trocados. Vejo, também, que nesse site os mais baixos valores de mercadorias apresentadas pertencem aos livros. Quem aceita valores faz seu preço.

Então...

Quanto você custa?


EM MUNDO DE POESIA reconhecer, é ser.

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[este é meu último texto deste ano na OPB - obrigada a todos que me acompanharam, apoiaram e ajudaram; lindo fim de ano a vocês, boas festas e muita luz e que no próximo ano, estejamos em condições melhores; estejamos mais evoluidos do que hoje. Abração!]

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Escrevo nessa coluna como forma de colaboração com a OPB e em nome desta agradeço  seu prestigio em comentar, curtir e compartilhar. Obrigada.

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